Treinamento de mão de obra é ponto crítico para o setor
Valor Economico
27/03/2013
Por De São Paulo
A mão de obra é, de longe, o insumo mais importante na área de segurança privada. "Apesar da incorporação crescente de novas tecnologias, o fator humano é o principal alvo dos investimentos das empresas do setor", afirma José Jacobson Neto, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Vigilância (Abrevis).
Segundo Jacobson, o universo das 1,5 mil empresas investe, em média, 1% de seu faturamento em treinamento e reciclagem. "Quem pensa que isso é pouco se engana", aponta. Na média, 90% dos custos das empresas vão para salários, encargos sociais e impostos, e outra boa parte para taxa de administração. "Sobra pouco, portanto, para margem de lucro e investimento."
Na visão de João Palhuca, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo (Sesvesp), o setor está no limite da ocupação da mão de obra. "O risco é mesmo de apagão, determinado pela remuneração mais atrativa que muitas atividades fora da segurança privada estão oferecendo", diz.
Nas maiores empresas, além do treinamento, há espaço para outros investimentos. Alberto Minazzoli, diretor geral da Prosegur, por exemplo, diz que as principais inversões da empresa são em construção ou reforma de bases operacionais, em modernização da frota e na compra de máquinas para processamento de cédulas. "O valor estimado do investimento para este ano é de R$ 100 milhões."
Na Protege, o diretor geral, Mario Batista de Oliveira, informa que o investimento pesado da companhia é em carros-fortes e equipamentos. "A manutenção e atualização de nossos veículos é uma preocupação constante", diz. A frota atual é de 1,1 mil veículos. "Os carros-fortes são próprios, a gente só terceiriza uns 600 carros leves de apoio, para serviços de supervisão e vigilância."
Washington Cinel, presidente da Gocil, diz que a empresa investe constantemente em treinamento dos recursos humanos. "Mas o mais recente investimento pode ser visto em nossas novas instalações", conta. A Gocil ocupa agora um prédio de seis andares, onde os clientes poderão conhecer o revolucionário conceito de CICC (Centro Integrado de Comando e Controle), uma nova lógica de funcionamento da segurança pública e privada, onde todas as forças se integram e se tornam capazes de enfrentar as mais graves crises. "A Gocil é a única empresa do setor a ter este serviço", assegura Cinel.
A atividade de segurança privada no Brasil teve início em 1967. A primeira legislação, regulamentando por decreto uma ocupação até então tida como paramilitar, surgiu em 1969 em função do aumento de assaltos a bancos. As empresas foram limitadas a um número de 50 no Estado de São Paulo e até 1983 eram controladas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública.
A demanda aumentou ao longo dos anos e essa necessidade deixou de ser exclusiva das instituições financeiras para estender-se aos órgãos públicos e empresas particulares. O auge dos serviços de segurança privada aconteceu no final dos anos 70. A crescente procura exigia então uma normatização, pois o decreto já não comportava todos os aspectos da atividade. Após grande esforço junto ao Governo Federal o serviço foi regulamentado por meio de legislação específica: a lei 7.102/83.
Por essa regra, para poder operar, as empresas de segurança privada precisam da autorização do Ministério da Justiça, além do Certificado de Segurança, um documento emitido pela Polícia Federal certificando que a empresa foi fiscalizada e está em condições técnicas de prestar serviços.
Quanto aos profissionais do segmento, esses devem ter, além do registro em uma empresa do setor, o certificado de conclusão do curso de formação de vigilantes. Teoricamente, isso impossibilita a existência legal de autônomos. "Mas, na prática, os números da Polícia Federal indicam que existem no Brasil duas empresas clandestinas para cada uma empresa legalizada", afirma Palhuca, do Sesvesp.
Segundo ele, a entidade trabalha desde 2000 para que a legislação do setor seja atualizada. (JG)
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